Apresentando um novo gato

Que atire a primeira pedra o dono de gato que nunca passou apertado ao apresentar um novo membro da família aos já existentes. Só o que se ouve são “fus”, roncos, bufadas furiosas. O que se vê são pêlos arrepiados, pupilas dilatadas, orelhas murchas. Até os proprietários mais experientes já passaram por situações estressantes como essa. Os gatos são animais solitários por natureza, mas se dão bem morando em comunidade. A maioria deles convive feliz com outro indivíduo da mesma espécie, mas é preciso fazer a introdução corretamente. Como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica.

Não importa se é um filhotinho , ou se finalmente teve coragem de comprar o gato dos seus sonhos. Quem sabe resolveu colocar para dentro de casa aquele vira-lata fofo que sempre ficava pedindo comida no seu portão. O ideal é planejar a vinda do seu novo pet, mas como nem sempre isso é possível (graças ao apelo incontrolável que alguns gatos que cruzam nosso caminho tem), a chave para que tudo de certo é paciência. Muuuuuuuuuita paciência.

Para que a experiência seja o menos traumática possível para as três partes, gato velho, gato novo e dono, é preciso conhecer um pouco do comportamento normal dos felinos, e ter uma observação aguçada. Gatos são sutis por natureza, e é uma arte a maneira como conseguem as coisas só piscando aqueles olhinhos lindos.

Todos os gatos deveriam ser bem socializados quando bebês. Desde o nascimento o ideal é que os filhotes sejam manipulados por seres humanos, para se tornarem totalmente domesticados e estreitar os laços entre as espécies. Também é preciso que convivam com outros felinos. Então bom mesmo seria adotar irmãos da mesma ninhada. Criar dois gatos dá menos trabalho do que criar um, mas nem sempre é possível convencer as pessoas disso. Existem gatos que gostam de ficar sozinhos e realmente não precisam de outros amigos a não ser seus donos. Mas grande parte deles, vive bem em grupos. Os gatos que nunca conviveram com outros podem dar mais trabalho, mas nada é impossível.

Para apresentar um gato a outro, basta seguir alguns passos básicos. Existe sim, uma técnica, pode se dizer até, um cerimonial para esta introdução. É importante respeitar as regras e ter calma e persistência. Vamos começar do princípio.

Pronto você tem um gato novo (que inveja!!!). Prepare sua casa para recebê-lo. Não solte o gato na casa inteira de uma vez. Escolha um cômodo para deixar o novo gato preso por, pelo menos um mês. Eu sei, parece muito, mas lembre-se da paciência. Se quisermos fazer a apresentação corretamente tem que ser com muita calma. Gatos gostam de calma, “no stress”. Ninguém enfia nada guela abaixo de gato, qualquer dono sabe disso. Temos que aprender com eles a ter paciência e dar um passo de cada vez.

Neste quarto escolhido para abrigar seu felino você irá colocar água, comida, um arranhador, uma caixa de areia, brinquedos e uma caminha. Esse vai ser o lar temporário do seu novo amigo. Comece dando comida ao mesmo tempo para os dois gatos colocando um pratinho de cada lado da porta a uma distância que nenhum dos dois manifeste sinais de hostilidade, e consiga comer relaxadamente. Mantenha a porta fechada, e os gatos longe o suficiente para que não bufem ou ronquem.  A cada dia avance mais um pouco os pratinhos em direção a cada lado da porta. Sempre tendo o cuidado de não provocar nenhuma reação de animosidade.

Quando os gatos estiverem comendo sem demonstrar nenhuma reação, abra uma fresta na porta. Pequena o suficiente para que eles se enxerguem sem hostilidade. Continue alimentando-os, ao mesmo tempo, um vendo o outro comer.

Para ajudar o entrosamento, esfregue uma toalha seca em um gato e depois no outro, várias vezes por dia, para os cheiros se misturarem. Procure alternar as caminhas dos dois, um dia para cada um. Você também pode brincar com os gatos um de cada vez, para que associem coisas boas a presença do outro. Assim que o novo membro da família estiver comendo bem, usando sua caixinha de areia corretamente, comece a soltá-lo pela casa para que faça um reconhecimento do território. O outro gato deve ficar preso num quarto ou caixa de transporte enquanto isso acontece. Quando nenhum dos dois estiver bufando ou roncando, deixe que ambos fiquem soltos sob sua supervisão. Coloque uma caixa de areia para cada gato da casa.

Se brigarem, não tente separá-los. Bata palmas, tampa de panelas, ou jogue água. Não precisa colocar novamente um em cada cômodo se for apenas uma briga e pronto. Rusgas são comum no início, mas se forem se tornando freqüentes procure ajuda de um especialista em comportamento para orientá-lo  como proceder.

Providencie esconderijos para que os gatos possam se esconder se estiverem se sentindo desconfortáveis. Gatos amam lugares altos, então esvazie suas prateleiras, ou faça um caminho com tábuas para que possam subir quando quiserem. Felinos se sentem controlando a situação ao vigiarem a rotina da casa de cima.

Preste atenção nos sinais de que um gato está aterrorizando o outro. Como já disse, só com o olhar um gato dominante impede o outro de chegar até a comida, água ou caixa de areia. Observe se os dois comem , bebem água , usam a caixa de areia e o arranhador. As vezes o outro gato usa seu corpo para bloquear a passagem do outro, e nada mais. Parece que está tudo normal, mas se observarmos atentamente, está havendo opressão por parte de um dos dois.

Gatos mais velhos não gostam das brincadeiras estúpidas dos mais jovens. Que tal colocar sua vó de 80 anos com seu filho de 8? Você deve gastar a energia do bebê. Reserve uma hora por dia para brincadeiras. Dê ao filhote coisas para fazer, caso contrário ele irá usar seu velho gato como brinquedo. Não deixe que o pequeno arme tocaias nos cantos, impeça o acesso a certas áreas para que ele não fique o dia inteiro armando estratégias de ataque.

Sendo o recém chegado velho ou novo, deixe que o antigo dono da casa tenha alguns lugares prediletos só seus. Imagine um estranho  roubar sua poltrona favorita e ainda ficar mastigando sua orelha o dia inteiro. Controle a convivência sem intervir. Observe e faça mudanças no ambiente para que sintam-se mais confortáveis.

Tenha em mente que felinos são adaptáveis e dê a eles tempo. Pode ser que jamais venham a ser os melhores amigos, mas pelo menos vão conviver pacificamente. O processo todo demora em torno de um mês, mas geralmente está tudo resolvido em duas semanas. Se em algum ponto da apresentação um dos dois expressar agressividade ou hostildiade, volte ao passo anterior.

Caso você já tenha adquirido um novo bichinho de estimação e eles ainda não se tornaram amigos, comece tudo do zero confinando o novo membro da familia a um cômodo da casa. Não force a convivência dos dois, vá devagar. Não se desespere e siga as instruções acima. Provavelmente em menos de duas semanas seus dois gatos vão estar dormindo juntos. E a família vai estar em paz e harmonia e pronta para, quem sabe? Mais um gato…

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